Comunicação interatrial (CIA): tipos, quando fecha sozinha e quando tratar

Mãe sorridente com a filha bebê no colo, família que acompanha a comunicação interatrial (CIA)

Comunicação interatrial (CIA) é uma abertura no septo que separa os dois átrios, as câmaras superiores do coração, por onde parte do sangue já oxigenado volta para o lado direito. As CIAs pequenas costumam não causar sintomas e muitas fecham sozinhas nos primeiros anos de vida. As maiores sobrecarregam o lado direito do coração e, em geral, são fechadas de forma programada, por cateterismo ou cirurgia, depois da avaliação com ecocardiograma.

Encontrar a sigla CIA no laudo do ecocardiograma costuma gerar dúvida e preocupação. O termo significa comunicação interatrial, uma das alterações mais frequentes entre as cardiopatias congênitas, e muitas vezes ela é descoberta por acaso, numa consulta de rotina em que o pediatra ouve um sopro.

A CIA raramente causa sintomas na infância. Isso dá tempo para observar, entender o tamanho da abertura e, quando necessário, programar o tratamento com calma, sem urgência.

O que é a comunicação interatrial

O coração tem dois átrios, as câmaras de cima, separados por uma parede chamada septo interatrial. Na comunicação interatrial existe uma abertura nesse septo. Como a pressão do lado esquerdo é maior, parte do sangue já oxigenado passa do átrio esquerdo para o direito e volta para os pulmões.

Esse desvio faz o lado direito do coração trabalhar com mais volume. Quando a abertura é pequena, o efeito é mínimo. Quando é grande, o átrio e o ventrículo direitos vão se dilatando ao longo dos anos, e é essa sobrecarga que orienta a decisão de fechar ou não.

Diferença entre CIA e forame oval

Todo bebê nasce com uma pequena passagem natural entre os átrios, o forame oval, que tinha função na vida dentro do útero. Ela costuma se fechar nos primeiros meses e não é um defeito. A CIA, por outro lado, é uma falha real no tecido do septo. A diferença é explicada em detalhe no texto sobre forame oval patente em bebê.

Tipos de comunicação interatrial

Os tipos são definidos pela posição da abertura no septo, e essa posição muda a chance de fechamento espontâneo e a forma de tratar:

  • CIA ostium secundum: fica no centro do septo e é o tipo mais comum. É a que mais fecha sozinha quando pequena e a que mais permite o fechamento por cateterismo.
  • Ostium primum: fica na parte baixa do septo, perto das valvas. Faz parte do grupo dos defeitos do septo atrioventricular, é mais frequente em crianças com síndrome de Down e costuma vir junto com alteração na valva mitral.
  • Seio venoso: fica perto da entrada das veias cavas e muitas vezes vem associada a veias pulmonares que desembocam no lugar errado.
  • Seio coronário: é o tipo mais raro, ligado a uma alteração na região por onde drena o sangue do próprio coração.

Os tipos ostium primum, seio venoso e seio coronário não fecham sozinhos e, em geral, são corrigidos por cirurgia.

Quando a CIA fecha sozinha

As aberturas pequenas no centro do septo, diagnosticadas nos primeiros meses de vida, têm boa chance de diminuir ou fechar com o crescimento. Por isso, nessa fase, a conduta mais comum é observar, sem remédio e sem procedimento.

O acompanhamento com ecocardiograma permite medir a abertura e o tamanho das câmaras direitas ao longo do tempo. O intervalo entre os exames varia conforme o tamanho da CIA e a idade, e é definido pelo cardiopediatra. Saber como funciona o ecocardiograma infantil ajuda a família a preparar a criança para essas reavaliações.

Quanto maior a abertura e mais velha a criança, menor a chance de fechamento espontâneo. Uma CIA grande que continua aberta depois dos primeiros anos raramente fecha sem tratamento.

Quando é preciso fechar e como é feito

A indicação de fechamento depende menos do número em milímetros e mais do efeito no coração. A sobrecarga do lado direito, vista no ecocardiograma como dilatação do átrio e do ventrículo direitos, é o principal sinal de que a comunicação é significativa.

Nesses casos, o fechamento costuma ser programado ainda na infância, muitas vezes antes da idade escolar. O objetivo é evitar complicações que aparecem anos depois, como arritmias, aumento da pressão nas artérias dos pulmões e cansaço aos esforços na vida adulta. Raramente o bebê tem sintomas que antecipem essa decisão.

Fechamento por cateterismo

No fechamento percutâneo, um cateter é levado até o coração por uma veia da virilha e libera um dispositivo, uma espécie de prótese dobrável, que se abre nos dois lados do septo e tampa a abertura. O tórax não é aberto. Esse método é usado quando a abertura fica no centro do septo e há bordas de tecido suficientes ao redor para apoiar o dispositivo.

Correção cirúrgica

Quando a anatomia não permite o dispositivo, ou nos tipos ostium primum, seio venoso e seio coronário, a correção é cirúrgica: o defeito é fechado com pontos ou com um retalho, em cirurgia com circulação extracorpórea.

A escolha do método é feita pela equipe a partir dos exames e conversada com a família. Os resultados costumam ser bons, mas todo procedimento tem riscos, que precisam ser explicados antes, e cada criança tem a sua própria avaliação.

Como é a vida da criança durante o acompanhamento

Na maioria das vezes, a criança com CIA leva uma vida comum enquanto é acompanhada: vai à escola, brinca, pratica esportes e recebe todas as vacinas do calendário. Não há dieta especial, e raramente há necessidade de remédio.

Alguns cuidados ajudam:

  • manter as consultas e os exames de controle nas datas combinadas;
  • levar sempre os laudos anteriores, para comparar a evolução;
  • avisar o cardiopediatra se a criança passar a se cansar mais que os colegas ou tiver palpitações;
  • cuidar da saúde dos dentes desde cedo.

Depois do fechamento com dispositivo ou com material protético, há um período em que o cardiologista pode recomendar antibiótico antes de alguns tratamentos dentários. Os detalhes estão no texto sobre profilaxia de endocardite em crianças.

Quando procurar atendimento

A CIA isolada quase nunca causa emergência na infância. Ainda assim, alguns sinais pedem consulta antes da data marcada:

  • cansaço novo ou desproporcional em brincadeiras e esportes;
  • palpitações ou coração disparado sem motivo aparente;
  • infecções respiratórias muito frequentes com pouco ganho de peso;
  • inchaço nas pernas ou na barriga.

Procure o pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU) se houver desmaio, falta de ar em repouso, lábios ou língua arroxeados ou dor forte no peito. Depois de um procedimento, febre persistente também merece contato imediato com a equipe.

Como o cardiopediatra acompanha a comunicação interatrial

O Dr. Alberth Tavares, cardiologista pediátrico, acompanha crianças com comunicação interatrial no consultório em Águas Claras e por teleconsulta, quando a família já tem exames para revisar. A consulta serve para explicar o tipo e o tamanho da CIA, interpretar os laudos, definir o intervalo das reavaliações e, quando houver indicação, conversar com a família sobre o momento e a forma do fechamento.

Perguntas frequentes sobre comunicação interatrial (CIA)

Meu filho tem CIA. Ele pode fazer atividade física?

Na grande maioria dos casos, sim. A criança com comunicação interatrial costuma brincar, correr e praticar esportes sem restrição, porque o defeito raramente limita o esforço na infância. Restrições pontuais podem ser orientadas em situações específicas, como pressão alta nos pulmões, arritmia ou nas semanas seguintes a um procedimento.

A comunicação interatrial (CIA) pode fechar sozinha?

Pode, principalmente quando é pequena e foi diagnosticada nos primeiros meses de vida. Com o crescimento, a abertura pode se fechar ou diminuir a ponto de não ter importância. As CIAs grandes e alguns tipos específicos, como a do seio venoso e a ostium primum, não fecham espontaneamente.

Fechar a CIA por cateterismo evita a cirurgia?

Em muitos casos, sim. Quando a anatomia é favorável, a abertura pode ser fechada com um dispositivo levado por cateter a partir de uma veia da virilha, sem abrir o tórax. Quando não é, a correção é cirúrgica. A escolha depende do ecocardiograma e é discutida entre o cardiopediatra, a equipe que fará o procedimento e a família.

Depois de fechada, a CIA pode voltar a abrir?

Não é o esperado. Depois do fechamento por dispositivo ou por cirurgia, a abertura costuma ficar corrigida de forma definitiva. Ainda assim, as consultas e os exames nos meses e anos seguintes verificam a posição do dispositivo, o tamanho das câmaras e o ritmo do coração.

Precisa de uma avaliação? Consultas presenciais na Clínica Neuromaster, em Águas Claras (Brasília, DF), e teleconsulta para todo o Brasil e o exterior.

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Conteúdo informativo, que não substitui a consulta médica. Em caso de emergência, procure o pronto-socorro ou ligue 192. Texto de responsabilidade do Dr. Alberth Tavares, cardiologista pediátrico, CRM-DF 16931, RQE 14409. Publicado em 16/10/2026. Foto: Luiza Braun / Unsplash.

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