A avaliação cardiológica de atletas busca, antes de treinos e competições, alterações do coração que costumam não dar sintomas, mas podem se manifestar no esforço intenso. Ela combina a história da criança e da família, o exame físico e, em geral, o eletrocardiograma. Na grande maioria dos casos, o resultado é a liberação para o esporte com orientações; quando algo aparece, exames complementares esclarecem o quadro.
O que a avaliação procura
Algumas condições raras podem causar arritmias graves no esforço: cardiomiopatia hipertrófica, origem anormal das artérias coronárias, síndrome do QT longo, pré-excitação ventricular e miocardite. Muitas não dão sintomas antes. Por isso a avaliação não depende de queixas e começa pela história familiar.
O eletrocardiograma no esporte
O coração de quem treina se adapta, e o eletrocardiograma do atleta pode ter mudanças normais para ele. O cardiopediatra interpreta o exame com critérios próprios para atletas, separando adaptação de alteração que precisa de investigação. Saiba mais sobre o eletrocardiograma em criança.
Exames complementares
Quando a consulta ou o eletrocardiograma levantam dúvida, entram exames como o ecocardiograma, o teste ergométrico e o Holter de 24 horas. Eles não são pedidos de rotina para todos: dependem do que foi encontrado.
Resultado da avaliação cardiológica de atletas
Há três desfechos possíveis: liberação sem restrição; liberação com orientações, como hidratação, acompanhamento periódico ou ajuste de modalidade; ou pausa temporária até concluir a investigação. A restrição definitiva é rara e sempre explicada com cuidado à família e ao atleta.
Sinais de alerta durante o treino
Desmaio durante o exercício, dor no peito no esforço, palpitação forte, falta de ar fora do comum para o nível de treino e queda de rendimento sem explicação. Diante desses sinais, o atleta deve parar e ser avaliado antes de voltar a treinar. Desmaio no esforço é sempre motivo de investigação; veja o artigo sobre desmaio em criança.
Atestado para atividade física
O atestado é emitido depois da avaliação e descreve a liberação e as orientações, quando houver. Para competições, algumas federações pedem modelo próprio ou exames específicos; vale levar o formulário na consulta.
A partir de que idade fazer avaliação cardiológica de atletas?
Não há uma idade única. A avaliação costuma ser feita quando a criança começa treinos regulares ou competições, geralmente a partir dos 10 a 12 anos, e antes disso sempre que houver sintomas ou história familiar de doença do coração.
O eletrocardiograma é obrigatório?
As sociedades brasileiras de cardiologia e de medicina do esporte recomendam incluir o eletrocardiograma na avaliação pré-participação. Ele ajuda a identificar condições que o exame físico sozinho não mostra.
De quanto em quanto tempo repetir a avaliação?
Para adolescentes em treino competitivo, em geral a cada um ou dois anos, ou antes, se surgirem sintomas. O cardiopediatra ajusta o intervalo à idade, à modalidade e ao que foi encontrado.
Meu filho teve um desmaio no jogo. Pode continuar treinando?
Desmaio durante o esforço deve ser investigado antes do retorno aos treinos. Desmaio logo depois de parar o exercício costuma ter causa benigna, mas também merece avaliação. Até lá, o ideal é suspender treinos intensos.
Suplementos e energéticos afetam o coração?
Energéticos e alguns suplementos com cafeína ou estimulantes podem aumentar a frequência cardíaca e provocar palpitações. Informe na consulta tudo o que o atleta consome. Para crianças e adolescentes, energéticos não são recomendados.
Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Em sinais de urgência, procure o pronto-socorro.