A cárdio-oncologia pediátrica acompanha o coração de crianças e adolescentes que tratam um câncer. Alguns quimioterápicos, como as antraciclinas, e a radioterapia no tórax podem afetar o músculo cardíaco, às vezes anos depois. O cardiologista pediátrico avalia o coração antes do tratamento, acompanha durante as fases de maior risco e mantém o seguimento depois da alta, em conjunto com a equipe de oncologia.
Por que o coração precisa ser acompanhado
A cardiotoxicidade é o dano ao coração causado pelo tratamento. Ela pode aparecer como queda da força de contração, arritmia ou alteração das válvulas. O risco depende do remédio, da dose acumulada, da idade da criança e da radioterapia associada. Na maioria das vezes não há sintoma no começo, por isso o acompanhamento é feito com exames periódicos e não espera queixas.
Antes de começar o tratamento
A avaliação inicial registra como o coração está antes da primeira dose: consulta, eletrocardiograma e ecocardiograma. Esse exame de base é a referência para comparar os seguintes. Quando a criança já tem alguma alteração, a equipe de oncologia é informada para planejar o tratamento junto com a cardiologia.
Durante a quimioterapia
O ecocardiograma é repetido em momentos definidos pelo protocolo e pela dose acumulada. Se aparecer alteração, a decisão sobre ajustes é tomada em conjunto: o cardiopediatra não muda o tratamento oncológico sozinho. Pressão arterial, frequência cardíaca e sintomas como cansaço e falta de ar também entram na vigilância.
Cárdio-oncologia pediátrica depois da alta
O efeito do tratamento sobre o coração pode surgir anos depois. Por isso, quem recebeu antraciclinas ou radioterapia no tórax segue com consultas e ecocardiogramas ao longo da vida, com intervalos definidos pelo risco de cada um. Na transição para a vida adulta, o seguimento passa para um cardiologista de adultos com relatório completo do histórico.
Hábitos que protegem o coração
Depois do tratamento, atividade física regular, peso adequado, controle da pressão e do colesterol e não fumar ajudam a proteger o coração. A liberação para esportes considera os exames de cada criança. O artigo sobre o dia a dia no Hospital da Criança de Brasília mostra como esse cuidado acontece na prática.
Sinais que pedem contato com a equipe
Cansaço fora do comum, falta de ar ao deitar ou nos esforços leves, inchaço nas pernas ou no rosto, palpitação, desmaio ou dor no peito. Esses sinais devem ser comunicados à equipe que acompanha a criança. Em caso de falta de ar intensa ou desmaio, procure o pronto-socorro.
Toda criança com câncer precisa de cárdio-oncologia pediátrica?
Não necessariamente. O acompanhamento é indicado principalmente para quem vai receber remédios ou radioterapia com efeito conhecido sobre o coração, como as antraciclinas, e para quem já tinha alguma doença cardíaca. A equipe de oncologia costuma fazer o encaminhamento.
O ecocardiograma durante a quimioterapia dói?
Não. O ecocardiograma é um ultrassom do coração, sem radiação e sem agulha. A criança fica deitada enquanto o aparelho desliza sobre o peito com gel. Crianças pequenas podem precisar de distração ou, raramente, de sedação leve.
O dano ao coração pode aparecer depois que o tratamento acabou?
Pode. Em parte dos casos a alteração surge anos depois do fim do tratamento, por isso o seguimento continua após a alta, com intervalos definidos pelo tipo de tratamento recebido e pela dose acumulada.
Meu filho terminou o tratamento há anos. Ainda vale consultar?
Vale. Sobreviventes de câncer infantil que receberam antraciclinas ou radioterapia no tórax devem ter acompanhamento do coração ao longo da vida. Leve o resumo do tratamento, com os remédios e as doses, para a consulta.
A criança pode fazer atividade física depois do tratamento?
Na maioria das vezes, sim, e a atividade física é recomendada. A liberação e o tipo de exercício dependem da avaliação do coração de cada criança, que considera os exames e o tratamento recebido.
Conteúdo informativo, que não substitui a avaliação individual. Em sinais de urgência, procure o pronto-socorro.